Viva! Projeto Alimento completa dois anos!

Depois de dois anos de Projeto Alimento, percebemos que é preciso resistir. Para continuar, agregar e multiplicar! Aproveitar toda a potência que a rede oferece para alcançar o maior número de pessoas. Por que nós temos mostrado aqui que é sim possível ter uma sociedade com mais autonomia e bem estar partindo apenas de algumas ações envolvendo o alimento. E vamos manter esse propósito até não precisar mais falar sobre isso!

Este mês o Projeto Alimento está completando dois anos!

 

E esse período que precede as eleições não poderia ser mais propício para fazermos um balanço sobre o propósito do nosso trabalho.

Quando começamos o Projeto Alimento a ideia era fazer uma investigação aprofundada sobre Alimentação, Saúde e Sustentabilidade no Brasil. Queríamos desenvolver uma pesquisa independente e o alimento seria o ponto central de onde partiríamos para explorar as caixas-pretas por trás das negociações em torno das sementes, dos agrotóxicos, das produções agrícolas, dos alimentos ultra processados, do consumo alimentar e da culinária de um modo geral.

Assim, nesses dois anos, o Projeto Alimento publicou diversas e longas entrevistas, todas inéditas, vale lembrar. Também escrevemos outros inúmeros textos abordando aquilo que parecia ser o mais banal sobre alimentação para mostrar como o alimento movimenta a nossa cultura. Não a cultura enquanto manifestação, que é como esta palavra costuma ser usada, como por exemplo, a música ou o teatro. Mas cultura no sentido mais antropológico possível, aquilo que nos define enquanto seres humanos que são dotados de costumes, valores e tudo mais que nos separa da natureza.

O preparo da comida utilizando o fogo, aliás, é segundo o antropólogo francês Lévi-Strauss, aquilo que marca a nossa passagem enquanto seres humanos da natureza para a cultura. Afinal, todos os seres vivos precisam se alimentar de alguma forma. Mas qual desses seres em todo reino da natureza utilizam fogo para preparar seus alimentos? Nós e apenas nós, seres humanos! Saber como temos tratado o alimento, portanto, é também uma forma de compreender nossa própria cultura.

E é por isso que o Projeto Alimento tem levantado um vasto material de pesquisa e disponibilizado na Internet para qualquer pessoa ler. Um material que é diferente de todas as outras publicações que tratam do alimento e que estão sendo veiculados na rede nesse momento. Por que vamos fundo em sutilezas que passam desapercebidas nas notícias e outras publicações do gênero.

Mostramos, por exemplo, que o ambiente em que vivemos nos empurra para o consumo excessivo de alimentos. Que o racismo nas cozinhas brasileiras ainda é muito presente e revela a hierarquia da nossa sociedade. Que há um silenciamento das evidências científicas nas políticas alimentares e que beneficiam apenas os interesses privados. Mostramos também como as transformações nos territórios indígenas alteram a alimentação tradicional. Principalmente, colocamos em evidência os movimentos de agroecologia, troca de sementes e mudas, permacultura, agricultura urbana, cientistas ativistas e outros que mostram que uma nova política ligada à alimentação é possível.

Isso gera um impacto incalculável! Por que a rede é potente e a informação tem um alcance que nem imaginamos. A informação está por aí, ela se reproduz e serve de inspiração para inúmeras ações. O Projeto Alimento influenciou seminários, reportagens, a formação de coletivos, o desenvolvimento de outras plataformas de comunicação sobre alimentação, etc.

E se nesse percurso o Projeto Alimento influenciou, ele próprio também foi influenciado! De pesquisa independente, o Projeto Alimento passou para a atuação política local. Começamos a participar de todos os conselhos locais ligados à alimentação: Conselho de Agricultura, Conselho de Segurança Alimentar, Conselho de Alimentação Escolar. E percebemos que apesar do tema da alimentação envolver setores estratégicos da cidade, muito pouco ou quase nada é articulado. Como resultado, há um vácuo enorme nas políticas locais que poderia ser preenchido com medidas simples e transversais.

Depois de dois anos de Projeto Alimento, percebemos então que é preciso resistir. Para continuar, agregar e multiplicar! Mas precisamos da sua ajuda para isso! Para aumentar os compartilhamentos desse material. Aproveitar toda essa potência que a rede oferece para alcançar o maior número de pessoas. Por que nós temos mostrado aqui que é sim possível ter uma sociedade com mais autonomia e bem estar partindo apenas de algumas ações envolvendo o alimento. E vamos manter esse propósito até não precisar mais falar sobre isso!

A todos que de alguma forma contribuem ou contribuíram com o Projeto Alimento nosso muito obrigado!

Um grande abraço!

Maíra Bueno

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